Honrar o Corpo, a Mulher e a Terra: Reflexões Profundas para aTransformação Masculina

“Muitas vezes tratamos o nosso corpo como se fosse subordinado ao nosso
espírito. Tratamos o corpo de forma pretensiosa, embora sem ele não haja o
espírito ou outra coisa que possa viver por si só.
No antagonismo entre espírito e corpo, da forma postulada por muitos,
incluindo religiosos e espiritualistas, reflete-se um outro antagonismo,
principalmente no caso dos homens: trata-se do antagonismo entre homens
e mulheres.


Quantos atos de desdém, opressão, mutilação e degradação já foram
praticados por muitos homens contra as mulheres!
Tratando as suas mulheres como um objeto pessoal à sua disposição, que
pode ser trocado ou deitado fora, sem compaixão, respeito e sem coração.
Muitas vezes, agem da mesma forma com relação ao seu corpo.
Negligenciam-no, colocam-no em risco pelos chamados valores
espirituais, frequentemente em busca de uma glória vaidosa.
O que nos resta de uma guerra ou campanha além da violação de uma
mulher no cenário da nação, derrotada, levando por sua vez, à violação de
diversas mulheres, sem compaixão, respeito e coração?
Onde começa para nós a reconciliação e a paz a todos os níveis?


No respeito e amor às mulheres e na tomada pelo homem de uma posição
abaixo e ao lado da mulher. Esse movimento vai muito além da chamada
igualdade de direitos, da mesma forma como não é possível haver uma
igualdade de direitos entre corpo e espírito, mas apenas a união de algo com
aquilo que o precede, carregando-o e suportando-o na vida.

Quando penso no que muitos homens fizeram às mulheres durante tanto
tempo, os meus olhos enchem-se de lágrimas, assim como quando penso
naquilo que eu e muitos homens fizemos ao corpo delas e ao corpo de
diversas outras pessoas.
Muitos homens, principalmente os homens, tratam a Terra da mesma forma
que tratam as mulheres, apesar de esta ser o seu único abrigo.
De forma similar, lidam também com o dinheiro. Diferente do dinheiro
proveniente de um salário merecido por um trabalho, o dinheiro que chega
às mãos dos homens proveniente do ganho sem motivo, como aquele que
provém de uma nova guerra, mutila os verdadeiros responsáveis pela sua
sorte.
Como podemos voltar aos nossos fundamentos?
Como é possível para os homens retornarem às mulheres?
Como retornam às suas mães, as mulheres que se sentem numa situação
similar com relação aos seus corpos?
Com humildade. Retornamos à Terra a partir de uma altura arrogante. Com
um deslocamento de peso, retornamos do ar de volta para a Terra, atraídos
pelo solo materno, do qual viemos e o qual nos nutre e carrega.


Assim, as mulheres carregam os homens e as outras mulheres com um amor
materno, vinculadas e unidas a eles, sem se sobrepor aos mesmos.
Também dessa forma retornamos ao nosso corpo e, por meio deste, ao poder
criativo: arquétipo e serem de toda a vida, que encontramos na sua forma
mais ampla na mulher e na mãe, assim como no nosso corpo.
Como?
Com um amor primordial que, de forma maternal, diz a tudo aquilo que traz à
existência: “Que se torne! Que seja! Que viva!”


Bert Hellinger

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